Eu sou um ser pequeno que vive em Campos
dos Goytacazes mas ama São João da Barra. Tenho meus "37"
anos estou no 3º período do curso de História
da Faculdade de Filosofia de Campos e adoro o SR
JUAREZ, que foi quem fez esse template, que é uma
graça, para mim. Algumas pessoas dizem que eu sou um "clichezão",
mas afirmo que isso não é verdade!
Meu msn: gabiassad@hotmail.com
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uma nota para meu blog
Ele tinha um caso. Sem meios termos, tinha um caso com uma prostituta. Não uma mulher de vida fácil...
Largava a família em casa para encontrá-la. Não pensava nas explicações que daria à amada esposa. Explicava a si mesmo: - Ela não é como as outras. É uma mulher diferente. É inteligente e sabe das coisas.
Era a justificativa necessária. Além do quê tinha um lindo nome. Chamava-se Lúcia. Mas não qualquer Lúcia. Uma vez, confessara para si mesmo que era um pouco fora de moda para um pseudônimo. Resolvera, então, perguntar:
- Por que "Lúcia"? Tantos para escolher. Logo esse...
- Uma personagem de um livro de Sidney Sheldon, sabe?!
(Ficara perplexo diante dela sem saber o que dizer. Sentira uma felicidade imensa que não demonstrava. Ela lera seu livro favorito).
- “As areias do tempo”?
- hu hum...
Sentiu-se incomodado porque havia esquecido de que ela não gostava de perguntas (não as respondia, na maioria das vezes). Não conseguia entender o que uma mulher como Lúcia, tão inteligente e refinada, fazia num prostíbulo. Vendendo-se para quem oferecesse mais. E o pior é que sentia que ela gostava. Não poderia lutar contra aquilo.
Todos os dias a velha e inseparável rotina começava. Sua única alegria era Lúcia. De vez em quando pensava nos filhos (duas belas crianças), mas sua consciência pesava realmente quando lembrava de sua mulher, e de como todo o amor que sentia por ela foi sucumbido pela paixão avassaladora que Lúcia o proporcionava.
Um homem distinto, sério e respeitador. Entregou-se a uma mulher que mal conhecia. Não sabia nem seu nome verdadeiro, muito menos sua história de vida e os motivos que a levou até ali. Trocou a estabilidade pelo desconhecido. Queria viver mais intensamente aquela paixão. Não sabia ele que Lúcia se despediria naquela semana.
- Não me adapto a lugares pacatos. Cansei daqui. Quero viver na cidade grande.
- E eu? Como vou ficar sem você?
E ela não respondeu mais uma vez. O silêncio tomou conta do quarto. Um cômodo simples, com um lençol vermelho e amassado jogado em cima da cama. Recolheu suas roupas. Saiu com o terno na mão e o nó da gravata desfeito. No longo percurso para casa, uma lágrima escorria em seu rosto áspero, a barba por fazer.
Continuava sem saber quem era aquela mulher. A cada passo dado, desiludido, ela se tornava mais estranha. Agora, apenas uma lembrança.